Fonte: http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=17152
Mogadouro: Pilotos amadores queixam-se de lhes estar a ser negada utilização do aeródromo
2009-11-02Praticantes do voo à vela acusaram hoje os responsáveis pelo aeródromo de Mogadouro de vedarem a utilização da única infra-estrutura nacional construída com dinheiros públicos para pólo de animação turística a partir de desportos aeronáuticos.
Um grupo de pilotos amadores de diversas zonas do país queixou-se a várias entidades, nomeadamente ao Provedor de Justiça por alegadamente há mais de um ano verem recusados pedidos para voarem no aeródromo municipal de Mogadouro.
António Conde, um advogado de Coimbra e praticante de voo à vela é porta-voz dos queixosos que alegam que o propósito do projecto de Mogadouro 'está a ser desvirtuado' e que existem 'indícios de apropriação de um equipamento público pago com dinheiro dos impostos, em benefício de um grupo restrito de pessoas'.
O aeródromo foi financiado por dinheiros públicos, nomeadamente do Turismo, e contempla a pista de quase 1300 metros realizada pelo Regimento de Engenharia de Espinho do Exército, aquisição de equipamento de voo, um avião de reboque, dois planadores e um moto planador.
O projecto contemplou também obras numa antiga escola primária para centro de instrução, formação de pilotos e dormitório da Escola Internacional de Voo à Vela.
Segundo os queixosos, 'em três anos foi realizado apenas um curso, que formou cinco pilotos, e nenhum evento nacional ou internacional'.
A memória descritiva do projecto promovido pela Câmara de Mogadouro, propunha a criação de uma infra-estrutura aeronáutica vocacionado para a animação turística da região, que passaria a fazer concorrência directa a Fuentes de Milanos, em Espanha, considerado a nível europeu um sítio excepcional para a prática em voo planado.
Os pilotos dizem que o aeródromo de Mogadouro tem condições excepcionais e, por isso, não entendem as 'recusas sucessivas'.
Mais de metade dos 60 planadores nacionais já subscreveram um abaixo-assinado contra esta situação, que já mereceu também uma intervenção do presidente do organismo nacional deste desporto.
Os queixosos participaram ao Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), Provedor de Justiça, Turismo de Portugal, entre outras entidades.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara de Mogadouro, João Henriques, responsável pelo aeródromo, afirmou que 'voam quando quiserem em Mogadouro, desde que cumpram as regras'.
O responsável autárquico confirmou que os pilotos em causa 'ainda não voaram' no aeródromo mas porque 'ali funciona uma escola de formação e o que está em causa é a articulação com a actividade' da mesma.
'O que eles pretendem é fazer um acampamento de três ou quatro dias com o nosso avião rebocador e em que a escola tem de parar', disse, sublinhando que 'é necessário articular com algum tempo antecedência', que no caso é de dez dia.
'As duas vezes que pediram dá a sensação que até fazem de propósito para que lhes seja recusado', acrescentou.
Os pilotos contrapõem dizendo ser 'impossível saber como vão estar as condições atmosféricas' determinantes para a prática do desporto.
